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Ninguém muda porque quer, ninguuém torna-se outra pessoa por simples vontade ou desejo pessoal. Ninguem acorda numa segunda de manhã, olha no espelho e diz "serei outra pessoa amanhã". Muda-se por imposições sociais, muda-se para tornar-se belo - ou menos discriminado - perante o olhar do outro. Eu desisti de mudar, não me adapto às versões """corretas""" sociais. Nunca gostei de bonecas, aqueles seres estáticos, sem vida, que não se moviam, mas adorava um carrinho, um jogo de tabuleiro, correr pela casa, pela rua... panelinhas só tinham graça quando eu podia colocar alguma coisa dentro delas, normalmente quem sofria eram as plantas da minha avó. Me lembro de brincar de bonecas depois de velha, para agradar as primas mais novos. Sempre odiei crochet, tentei muitas vezes aprender, mas nunca gostei, tentei porque minha avó insistia que eu deveria aprender, porque minha bisavó buzinava na minha cabeça que "que tipo de mulher você quer ser se ...

Coisas para Lembrar #1

Rapidamente, a civilidade recupera um sentido cívico, sem nunca se tornar a sombra projetada da cidadania. (Daniel Cefaï)

Ontem...

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Ontem, pela primeira vez, conheci uma mulher que precisou retirar a mama devido a um câncer. Moradora de uma comunidade pobre da cidade, estava acompanhada de sua filha, que nos abordou durante a ação que fazíamos no terminal urbano para divulgar os lugares de atendimento de mulheres vítimas de violência.  Indignada, ela reclamava que estava ali pela terceira vez e o serviço de atendimento do cartão social - que concede gratuidade de passagem - não estava funcionando, e de como o mesmo não servia para elas pois ambas moram em Niterói e o tratamento é feito em Santa Tereza - na capital. Comentou que sua mãe acabara de passar por uma cirurgia para retirada de um dos seios e que naquela tarde iria tirar os drenos.  Apesar da indignação com o serviço público, na sua fala não se percebia ódio ou rancor, apenas gratidão pela mãe ter conseguido vencer a doença e a certeza de que se o universo ajudou até ali o resto se resolveria também.  No momento em que ela falo...
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Te olho nos olhos e você reclama  Que te olho muito profundamente.  Desculpa,  Tudo que vivi foi profundamente...  Eu te ensinei quem sou...  E você foi me tirando...  Os espaços entre os abraços, Guarda-me apenas uma fresta. Eu que sempre fui livre, Não importava o que os outros dissessem. Até onde posso ir para te resgatar? Reclama de mim, como se houvesse a possibilidade... De me inventar de novo. Desculpa...se te olho profundamente, Rente à pele... A ponto de ver seus ancestrais... Nos seus traços. A ponto de ver a estrada... Muito antes dos seus passos. Eu não vou separar as minhas vitórias Dos meus fracassos! Eu não vou renunciar a mim; Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser Vibrante, errante, sujo, livre, quente. Eu quero estar viva e permanecer Te olhando profundamente."
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"É preciso explicar por que o mundo de hoje, que é horrível, é apenas um momento do longo desenvolvimento histórico e que a esperança sempre foi uma das forças dominantes das revoluções e das insurreições. E eu ainda sinto a esperança como minha concepção de futuro."                                                                                                 Jean Paul Sartre Globalização - O mundo global visto do lado de cá 

Da Alfazema à felicidade.

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Uma roda de samba, dessas tradicionalissimas, hoje só encontradas nos confins dos interiores da Bahia ou em praças urbanas através da iniciativa de jovens que sentem-se responsáveis pela manutenção das culturas populares - culturas essas que nunca tiveram espaço nas mídias para massas - um rapaz, àquele que puxava as musicas (não sei qual denominação correta) molhou as mãos dos que compunham a roda com Alfazema e  perguntou  "O que esse cheiro vos lembram?". Apesar de não compreender a pergunta, no inicio, decidi fechar os olhos e buscar em mim essa respostas. Em segundos eu estava exatamente na casa antiga onde morava com meus avós,  mãe,  tios, primos, era como se acabara de acordar com o som do programa matinal da rádio local que minha avó escutava religiosamente toda manhã no seu rádio de pilha, na panela a pressão chiando, o cheiro de feijão sendo cozido que se misturava com o aroma do café preto passado no coador de pano; lembrei-me do quintal de terra, das b...
Puxe uma cadeira ali ou peça pro garçom trazê-la...   Já tem um tempo que estou com vontade de montar um blog, um blog diferente dos tantos outros que já montei e abandonei com o tempo, algo com o intuito de dar vida à tantas reflexões diárias baseadas nas vivências e no compartilhamento de dores, amores, conhecimentos, descontentamentos e esperanças meus e daqueles que passam pelos meus caminhos, e em cinco minutos de impulsividade, um suspiro, uma overdose de Vinicius de Moraes e Baden Powell e uma xícara de café numa noite quente, nasce Xícaras e Tulipas , dessa coragem de desengavetar vontades e sonhos, garantindo uma digna homenagem à dois personagens eternamente presentes nas rodas de amigos, nas conversas privadas, nos encontros românticos, nas noites solitárias de frio e agitadas de calor, minhas duas paixões O Café e A Cerveja. Duas figuras dicotômicas, uma quente, outra fria, uma saboreada durante o dia e outra apreciada a noite, que combinam perfeitamente com o clima tr...